A viagem de Ariel ou Um conto de Natal

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Texto de Vera Guidi

Ilustração de Catarina Landim 

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Quem conhece o Ariel ?

Ariel - pra quem não sabe - é um menino super-legal, que tem a maior curiosidade sobre as coisas do mundo!

Seu coração é puro, cheio de amor. Amor de criança, que agradece todos os dias pela sua vida, pelas pessoas que ama, pelo seu corpinho de menino. De olhos bem espertos, que não param de espiar.

Mas o que Ariel mais gosta é de pensar!

Os adultos vivem dizendo: — Ôh, menino, você tá no mundo-da-lua ?

É que o Ariel, nessas horas, está pensando…pensando…Acreditam que ele pode viajar com o pensamento?

Certo dia, ele andava meio quieto, tristinho. Ninguém notou, já era no finzinho da tarde, quase noite. Os adultos estavam ocupados com seus afazeres, correndo pra lá e pra cá.

E o Ariel estava com a cabeça quente, sentado no jardim. Pensando, sismando, como costuma fazer.

No seu pensamento havia uma interrogação enorme. Numa concentração sem tamanho!Sua expressão estava séria, a testa enrugada. Como pode um menino pequeno estar tão sério?

Será que criança só brinca? Ou será que criança também percebe o que se passa ao seu redor?

E olhava para o céu, pensando, pensando.

O que será que ia na sua cabecinha, heim? Faz de conta que a gente pudesse ler os seus pensamentos, como num papel escrito…

Então daria pra saber que o Ariel estava assim porque andou ouvindo comentários e notícias da televisão…

Nossa! Só se fala em guerras, os povos estão brigando…

Os adultos nem percebem, acham que criança não entende. Ele anda escutando tudo, sim. 

Sabem…

É final de ano, e o Ariel sempre gostou de comemorar o Natal!

Das histórias, das cores, da música, do rosto alegre das pessoas.

Mais importante que presentes são os abraços que se recebe neste dia…  Ele acha que nesta época o coração das pessoas fica meio “amolecido” de Fraternidade.

Pena que não ficam assim no resto do ano… Que pena…

Em sua cabecinha de menino, ele acha que não vai ter esse clima de amor, neste ano…

Ele até anda brincando menos com seu cãozinho Tigre. Mas o Tigre, que é um amigo fiel, apesar de estranhar o seu silêncio, está respeitando o seu momento quieto.

Será que o Ariel entende mesmo o que acontece no mundo dos adultos?

Assim, quietinho, Ariel foi espiando a noite chegar e eis que viu uma luzinha perto de seu ombro.

Será que era um vaga-lume? Só que a luzinha foi aumentando de tamanho, meio azulada, brilhando forte. Nossa – pensou – que será essa luz ?

Piscou forte, uma, duas vezes, e se transformou numa silhueta feminina, toda clara.

Não deu medo, pois era uma figura muito bonita…

Exclamou: — Você é uma fada, como as das histórias!

A linda moça lhe disse: — Ariel, não sou uma fada, mas uma amiga sua e de seus pensamentos. É verdade que eles estão lhe deixando triste, ultimamente?

— É sim, disse o menino, você sabe o que se diz por aí? Que ninguém entende ninguém, neste mundo só de guerras…

— Eu sei, o desenrolar dos acontecimentos… É com o que se preocupa, não?

— Sim, acho que me enganei sobre as pessoas do mundo.

Sorrindo, a amiga perguntou:

— Gostaria de fazer uma breve viagem comigo? Preciso lhe mostrar algumas coisas deste mundo…

Me dê as suas mãozinhas, feche seus olhos e prometa que não terá nenhum tipo de medo. Ariel sentiu uma forte energia que envolvia seu pequeno corpinho, que decolava rapidamente para o alto, como num foguete de brinquedo do parque de diversões. Não abriu os olhos, até a amiga dizer que sim. Confiava que tudo ia acabar bem.

— Veja agora, Ariel, onde viemos parar.

Estavam agora em um belíssimo recanto, de relva verdinha, milhares de flores iluminadas pelo Sol, rodeados da mais encantadora Natureza. Pequenos animaizinhos corriam livremente, borboletas e passarinhos pousavam em suas mãos, ombros, cabeças, saudando sua chegada.

— Que lugar lindo!

— É um de meus preferidos. Sentemos debaixo daquela árvore. Tenho um livro para lhe mostrar. Vai gostar…

Acomodados, a amiga pegou um grande volume, de rica encadernação e disse:

— Ariel, este é um livro diferente, como verá. Na medida que o folhearmos não só verá as gravuras, mas sentirá as sensações nelas contidas. E sabe de uma coisa…é apenas um volume de uma coleção infinita…

— Como se chama? perguntou apressado e curioso.— É o LIVRO DAS BOAS AÇÕES.

E começaram a vê-lo, vagarosamente. A bela amiga lia em voz suave, cada capítulo era uma história. As página continham as mais belas imagens que Ariel jamais vira. E, como mágica, podia sentir as alegrias, as emoções contidas em cada gesto, ali representados com a maior precisão. Em seu rosto de menino brotavam lágrimas emocionadas, como dois riozinhos. Seu coraçãozinho, aquecido, iluminava-se. Uma aura intensa de amor envolvia-o da cabeça aos pés. Sorria o tempo todo, surpreso a cada instante.

— É incrível! – dizia.

E assim, passou-se o tempo. Um tempo que o relógio nem sentiu.

A bela “fada”, como Ariel disse, encerrou dizendo:

— Leve para sempre as lições destas lembranças reais. Irá buscá-las aos poucos, de dentro de si, em momentos de sua vida.

“A Terra, sim, meu filho, passa por dias difíceis, conseqüentes de atos difíceis de toda a História da Humanidade.”

“Mas a vida é muito mais…há milhares de tesouros escondidos, em todos os cantos do planeta. Tesouros que não são de moedas, mas de ações…”

“O BEM nem sempre aparece claramente aos nossos olhos. Veja como podemos atravessar a escuridão apenas com nossa pequena tocha de AMOR. Não desista de amar. Espalhe seu AMOR, sem receio.”

“Faça como os jardineiros. Plante sementes num pequeno jardim e siga adiante. Plante e confie. Pois os pássaros, o vento, os insetos, servidores do Equilíbrio, as espalharão em solos férteis.”

Ariel fechou os olhos e imaginou um lindo jardim. Pensou que nunca esqueceria tão valioso ensinamento. 

Quando abriu-os novamente, o cãozinho Tigre estava a olhá-lo fixo, pronto para latir, com seu olhar meigo, abanando o rabinho, feliz pela sua felicidade. Será que ele também vira a sua amiga?

E por falar nisso, onde estaria ela, a sua “fada”?

Ariel ainda a pressentia por ali.

No peito, a certeza de um dia poderia viver novamente outra incrível aventura.

Sentia algo diferente, maior do que o seu corpinho de menino pudesse carregar. Sentia um AMOR imenso pelas pessoas. Vontade de abraçar a todos e ajudar o próximo. Essa vontade, sabia, iria durar até ele ficar bem velhinho…

Trazia consigo as imagens bem gravadas, mas não conseguia distinguí-las claramente… Apenas vinham à mente os sorrisos, a paz, a felicidade de servir, a sensação da gratidão, e muitos sentimentos mais…

“ Ah, são estes os meus tesouros ! ”

- Ei, amiga, esqueci de perguntar o seu nome. Antes de ir embora, me diga, por favor…

Bem de longe, ainda pôde ouvir a suavidade de sua voz a dizer: 

— Meu nome é ESPERANÇA!

Por uma geografia além da visão

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Texto de Fabrício de Lima, geógrafo e educador

Desde que os prussianos Carl Ritter e Alexander von Humboldt (no século XVIII) deram um caráter científico à geografia, ela passou a ter como característica empírica mais marcante: a visão do geógrafo.

Essa visão do cientista gerou em outras ciências discussões muito grandes, como na antropologia com o alemão Franz Boas que apresentou uma nova maneira de ver a cor das águas, que ele próprio aprendeu com os eskimós e divulgou na sua tese de doutorado: “Contribuições para o entendimento da cor da água.

Na geografia, acredita-se que um ser dotado de tanta habilidade era (ou é?!) capaz de captar o todo do espaço geográfico e sintetizar num desenho, num mapa, numa descrição.

Mas havia ainda a possibilidade de um outro geógrafo (tão gabaritado quanto) desmistificar o colega ou “lançar novas explicações” sobre um fenômeno.

E como ensinar pessoas com deficiência visual esse espaço geográfico que ela está inserida? Como fazer com que alguém que não enxerga ou tem dificuldade na visão compreender um espaço com linguagens científicas, interpretar um desenho, ou explicar um fenômeno? Elas apenas compõem o espaço geográfico, não podem entende-lo?

Como captar uma cachoeira, um rio com águas límpidas, ou as ruas tortas de uma grande cidade, uma manifestação industrial, problemas ambientais, a necessidade de terra num país com problemas fundiários, a cidadezinha abandonada, uma montanha, ou como seria a mata atlântica tão devastada que está, ou o gado nas pradarias?

Como levar para essas pessoas a geografia da percepção como pensou o geógrafo chinês Yi-Fu Tuan? Uma geografia entendida através de aspectos empíricos de cada pessoa, sabendo-se que existem pessoas com visões diferentes ou até sem uma visão, mas com vontade de aprender e compreender.

Difícil, mas não impossível.

E foi nessa missão que duas professoras adjuntas do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) embarcaram. Educadoras de fato, no sentido mais amplo da palavra, a engenheira cartógrafa Ruth Emília Nogueira Loch (mestre em geografia e doutora em engenharia florestal) e a geógrafa Rosemy da Silva Nascimento (mestre em engenheira civil e doutora em engenharia de produção) orientam os trabalhos de um grupo de dezessete pessoas (entre artistas, “designers”, geógrafos, historiadores, deficientes visuais e engenheiros) que compõem o LABTATE (Laboratório de Cartografia Tátil e Escolar).

Esse Laboratório produz materiais, artigos e pensamentos sobre uma nova maneira de cartografar o espaço e atingir pessoas que, até então, não tinham acesso essas informações.

Elas levam a sério a expressão do também geógrafo e escritor francês de “O pequeno príncipe”, Antoine de Saint-Exupèry: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos!”

Não querem só fazer uma alfabetização cartográfica, como se tem falado e comentado aos montes por geógrafos que lidam com educação. Esse grupo quer, levar cartografia e geografia para uma parcela da população que necessita conhecer seu espaço, não apenas como estudo ou vivencia, mas como sobrevivência.

Como seria a vida de um cego para notar os perigos nas ruas de seu bairro?

Utilizamos ainda hoje a experiência do dia-a-dia.

Por que não utilizarmos os mesmos recursos para nos localizarmos, para sabermos do perigo do nosso bairro, cidade, país, do mundo?

Por que não elaborar um mapa também para deficientes visuais?

Perguntas essas que o pessoal da Universidade Federal Santa Catarina está tentando responder.

A intenção desse grupo, por si só, já deveria ser louvada. Porém, além disso, louvamos também os resultados que eles têm obtido.

Sabemos que os recursos do executivo (estaduais, municipais ou federal) para pesquisa nas universidades são poucos, mas sabemos contudo, que se pode fazer muito com imaginação e vontade.

Recomendamos, portanto, que os professores acessem a página virtual do Laboratório. Mesmo se não há uma intenção latente em ensinar deficientes visuais. Mas pela minha própria experiência na educação pude observar que uma maquete, um mapa tátil, um globo com relevo atingem um efeito e o objetivo da geografia muito mais rápido.

E quão divertido é poder aprender “brincando”, sorrindo e sentindo (não apenas vendo) os fenômenos!

No site podem ser encontrado artigos, materiais para serem utilizados por professores e um bom e preciso guia de introdução à cartografia.

Para qualquer corrente de pensamento educacional que um professor ou pesquisador se debruce o mapa na geografia é um elemento de fundamental importância. O projeto e o site oferecem a possibilidade para professores de todas áreas conhecerem e transmitirem esses conhecimentos aos seus alunos. Conhecer a linguagem técnica de um mapa é como conhecer a linguagem técnica da escrita, se faz necessária uma “alfabetização” do aluno, cuidado e paciência do professor.

Para o pessoal do LABTATE, meus sinceros parabéns e votos de um sucesso cada vez maior!

Para todos uma boa navegação: http://www.labtate.ufsc.br/

Afinal, navegar é preciso…

Projeto de ensino com recorte e desenho de observação

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Apresento abaixo os resultados da Oficina Gesto e Expressão com papel, que ministrei de abril a junho de 2008 em Indaituba, pela Oficina Cultural Regional Hilda Hilst, da qual participaram 07 alunas, a maior parte delas professoras de arte da rede estadual de ensino.

A proposta da oficina foi trabalhar o desenho de observação e técnicas diversas de recorte e colagem através de exercícios práticos, da introdução a noções de composição e cor e da observação e discussão de artistas que trabalharam com recorte em diversas épocas.

Um dos aspectos bastante discutidos e posteriormente trabalhado pelas alunas em sala de aula, foi a possibilidade do uso do desenho de observação e do recorte como ferramenta para “soltar” o desenho dos alunos daqueles estereótipos e cópias, caminhando para a descoberta da possibilidade de uma produção pessoal.

 Pode-se trabalhar a proposição do desenho de observação de objetos, espaços e de pessoas que depois são trabalhados com recortes com estiletes e tesouras e colagens em pápeis coloridos, que geram trabalhos bastante expressivos e permitem o contato com outros materiais além do lápis sobre papel.

 Ao propor o desenho de observação, é recomendado orientar os alunos a se preocuparem com as relações do objeto/tema: suas características principais, a proporção entre suas partes, sua posição em relação ao fundo, etc.

Acesse a apostila de introdução a Oficina com pequena galeria de imagens de recortes, história do recorte e noções básicas sobre os materiais.

Veja algumas imagens das atividades produzidas em aula.

  Blog Educar: Projeto de ensino com recorte e desenho de observação                                                            

  Blog Educar: Projeto de ensino com recorte e desenho de observação

Blog Educar: Projeto de ensino com recorte e desenho de observaçãoBlog Educar: Projeto de ensino com recorte e desenho de observação 

Dica: Arte Brasilis

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Gostariamos de indicar o site Arte Brasilis, revista eletrônica de arte, ciência, filosofia, educação e cultura de paz, que apresenta textos e imagens muito interessantes para educadores e interessados em geral.

Você pode conferir o conteúdo do site em dois endereços:

1) ARTE BRASILIS 2: http://artebrasilis2.blog.terra.com.br/

Categorias: ACREDITE SE QUISER , CAMINHOSEDUCAÇÃO EM REDEENTRELINHASFAZ SENTIDO ?FIQUE LIGADO !GENTE EM AÇÃO !INCLUSÃO & DIVERSIDADEISTO É BRASIL !, NOTICIANDO, PAPO DE SEXTA-FEIRA, TEXTOS & ARTE, VIDA SAUDÁVEL

 2)  ARTE BRASILIS VÍDEOS:  http://arte.brasilis.zip.net/

Vídeos, imagens e interatividade com o leitor.

 Acessem!

Sobre o Origami

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Blog Educar: Sobre o Origami

“Um mágico transforma folhas de papel em pássaros” , 1819, xilogravura de Katsushika Hokusai

Com as comemorações do centenário da imigração japonesa, o ensino de origami ou dobradura propagou-se por todas as escolas.

Para que esta prática não caía numa mera atividade recreativa, escrevo abaixo um breve histórico do origami.

     “Origami” é uma prática de origem japonesa, também conhecida no Brasil como dobradura. Em japonês, “ori” significa dobrar e “kami” (que flexionada fica “gami”) significa papel. Assim, como a própria palavra japonesa explica, “origami” é a arte que parte de um ou mais papéis que podem ser de diferentes formas (quadrada, retangular, circular, etc) para criar as mais variadas formas de representação do mundo a nossa volta e/ou de nossa imaginação, através apenas de dobras, sem o uso de cortes.

     Até os dias de hoje, alguns dados sobre o surgimento do origami - como datas e região de origem - não são elucidados por completo, no entanto, acredita-se que a sua invenção esteja ligada ao uso do papel para a decoração dos templos no Japão.  

   Há registros em gravuras que comprovam o uso do origami em forma de “tsuru” (em português, grou, um pássaro sagrado no Japão) para entreter crianças pequenas, como móbiles.     

   Antigamente, essa tradição era passada de geração em geração apenas através de demonstrações presenciais. A primeira instrução de como dobrar um “tsuru” são do século XVIII. A metodologia de diagramação das diferentes formas possíveis de se dobrar o papel, bem como a criação de um código universal é mais recente.

       A sistematização das instruções das formas que se podem obter ao dobrar um papel, tornou-se extremamente necessária após a enorme difusão que esta prática conseguiu mundo afora, sendo que, atualmente, a dobradura, ou “origami”, deixou de ser uma arte exclusivamente japonesa ganhando traços característicos de outras culturas, através do surgimento de grandes mestres em vários países. 

     Friedrich Froebel (1782-1852), fundador do Movimento Kindergarten, introduziu o ensino das dobraduras nas escolas infantis da Alemanha, destacando os benefícios (motores, espaciais e matemáticos) que essa atividade trazia ao desenvolvimento das crianças.

        No Japão, grandes mestres como Toyoaki Kawai, defendem o ensino da dobradura como um exercício de observação e de externalização de sentimentos. Para ele, as características de quem dobra, bem como as suas emoções, independentemente de todos seguirem as mesmas instruções, sempre transparecem em todas as dobraduras. Além disso, ele defende o estudo aguçado de cada objeto ou coisa a ser transformada em dobradura, observação que deve ser feita em todo tipo de arte representativa.  

      No Brasil, destacam-se nomes como Maria Helena Costa Valente Aschenbach, a Lena das dobraduras, que difundiu a idéia de combinar o ensino das dobraduras à contação de histórias, e as pesquisadoras, Mari Kanegae e Alice Haga, entre outros.